Animais que curam a mente
Isabela Costa
Isabela Costa
| 20-01-2026
Equipe de Animais · Equipe de Animais
Animais que curam a mente
Há séculos, os seres humanos recorrem aos animais em busca de conforto e companhia. Além da simples amizade, pesquisas mostram que os animais podem desempenhar um papel fundamental em contextos terapêuticos.
Especialmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e pessoas que enfrentam ansiedade.
Compreender como os animais contribuem para o bem-estar emocional e cognitivo oferece uma visão mais profunda da conexão entre humanos e o mundo animal.

Entendendo a terapia assistida por animais

A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma intervenção estruturada que incorpora animais a programas terapêuticos para melhorar resultados físicos, emocionais e sociais.
A terapia se baseia nas interações naturais entre humanos e animais, que podem reduzir o estresse, estimular a comunicação e promover uma sensação de segurança.
Benefícios fisiológicos: a interação com animais demonstrou reduzir os níveis de cortisol, diminuir a pressão arterial e aumentar a liberação de oxitocina — o “hormônio do vínculo” — que favorece o relaxamento e a regulação emocional;
apoio emocional: os animais oferecem companhia sem julgamentos, ajudando as pessoas a se sentirem aceitas e seguras. Isso pode ser especialmente relevante para crianças com TEA, que podem ter dificuldades com sinais sociais, ou para pessoas com transtornos de ansiedade, que podem vivenciar preocupação intensa ou pânico;
engajamento comportamental: trabalhar com animais estimula foco, paciência e conclusão de tarefas. Atividades estruturadas como escovar, alimentar ou observar animais ajudam a criar rotinas e reforçar comportamentos positivos.
Maggie O’Haire, professora associada de interação humano-animal, afirma que “os animais podem oferecer uma forma única de apoio social que ajuda a atenuar os efeitos fisiológicos e psicológicos do estresse”.

Como os animais ajudam crianças com autismo

Crianças com autismo frequentemente enfrentam desafios na interação social, comunicação e regulação emocional. Os animais podem atuar como catalisadores sociais, facilitando conexões e o desenvolvimento de habilidades essenciais.
Comunicação não verbal: muitas crianças respondem com mais facilidade à linguagem corporal, às vocalizações e à presença dos animais do que às pessoas, criando uma ponte para praticar gestos, contato visual e reconhecimento emocional;
redução da sobrecarga sensorial: muitas crianças com TEA apresentam sensibilidades sensoriais. Animais, especialmente os de comportamento calmo e previsível, oferecem uma presença tranquilizadora que pode reduzir o estresse e a superestimulação;
aumento da motivação social: cuidar de um animal ou participar de atividades orientadas pode aumentar a motivação para interagir, seguir instruções e participar das sessões terapêuticas.
Animais que curam a mente

Como os animais ajudam pessoas com ansiedade

Os transtornos de ansiedade são caracterizados por preocupação excessiva, tensão e, às vezes, sintomas físicos como aceleração dos batimentos cardíacos ou rigidez muscular. Os animais podem ajudar a atenuar esses efeitos por meio de apoio emocional e comportamental.
Promoção do relaxamento: simplesmente observar ou tocar um animal pode desacelerar a respiração e os batimentos cardíacos, proporcionando um efeito de ancoragem durante episódios de ansiedade;
consistência e previsibilidade: os animais seguem rotinas previsíveis. Interagir com eles pode gerar uma sensação de estabilidade, algo reconfortante para quem convive com a ansiedade;
estímulo à atenção plena: os animais vivem no momento presente, e passar tempo com eles incentiva o foco no aqui e agora, reduzindo ruminação e pensamentos intrusivos.

A ciência por trás da conexão

Estudos científicos têm esclarecido por que as interações humano-animal são tão eficazes. Além da regulação da oxitocina e do cortisol, pesquisas indicam que interagir com animais pode aumentar os níveis de dopamina e serotonina — neurotransmissores intimamente ligados à regulação do humor e à sensação de prazer.
Desenvolvimento cerebral e cognição social: para crianças com autismo, interações positivas repetidas com animais podem fortalecer vias neurais associadas à empatia, compreensão social e comunicação;
resiliência emocional: para pessoas com ansiedade, o vínculo com animais pode reforçar mecanismos de enfrentamento, ensinando paciência, resolução de problemas e manejo do estresse em um ambiente de baixa pressão.
Animais são muito mais do que companheiros — são parceiros poderosos em intervenções terapêuticas. Ao reduzir o estresse, melhorar a regulação emocional e estimular habilidades sociais, os animais podem influenciar positivamente a vida de crianças com autismo e de pessoas que convivem com a ansiedade.
Os laços emocionais formados entre humanos e animais destacam a capacidade única dos animais de oferecer conforto, apoio e estabilidade.
Compreender e integrar a terapia assistida por animais oferece uma abordagem natural e baseada em evidências para promover o bem-estar, revelando as profundas formas pelas quais humanos e animais podem se curar juntos.